17 de agosto de 2009

Entrevista!

Olá, amigos d'A Caricatura!

A Melissa do Portal Primeiramão entrevistou esse humilde, porém magnânimo, caricaturista que escreve. Na sequência posto o que foi para mim motivo de grande honra e prazer.

Grande Abraço!

As caricaturas de Toni D’Agostinho

tonicaricatura Toni D’Agostinho é sociólogo, caricaturista, ilustrador, escritor e diretor teatral.

Estudioso do riso e suas derivações, Toni já fez vários trabalhos para as principais editoras do País.

Participou da exposição de caricatura “Futebol Pensado”, durante a Copa de 2006 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e criou para o Banco do Brasil a mostra “Nanquim no Machado” com personagens de Machado de Assis caricaturadas.

Na televisão fez caricaturas para o programa Show do Tom, da Record e Raul Gil da Bandeirantes.

Nessa conversa com o Blog do Primeiramão, ele nos conta como começou sua carreira e como é ter um trabalho que, para muita gente, mais parece brincadeira, fazer caricaturas.

1- Você sempre desenhou desde criança? Quando começou seu interesse pelo desenho? Você era daquele garoto que ficava na sala de aula desenhando os Eça de Queiroz professores?

Toni: Desenhei como todas as crianças desenham em sala de aula; acredito que nem mais, nem menos. Não desenhava os professores, desenhava cenas de ficção, monstros e super-heróis. O que eu queria mesmo era conseguir representar graficamente o que via em meus pensamentos.

2- Por que escolheu a caricatura?

Toni: A caricatura acabou me escolhendo. Desenhava outras coisas, mas as pessoas “pediam toda a sorte” de desenhos satíricos. Há também uma forte demanda por caricaturistas em eventos corporativos e eu peguei carona, meio sem querer, nessa procura. O estudo sobre a importância da caricatura para a História e formação da opinião pública veio muito depois.

3- Quando começou a fazer caricaturas profissionalmente? Como foi sua primeira experiência?

Toni: Foi num evento aos 19 anos. Eu nem sabia direito o que estava fazendo, mas estava sendo pago e as pessoas estavam gostando dos desenhos. Apesar do nervosismo e do receio de não conseguir fazer caricaturas interessantes, o evento foi muito bom e outros vieram. Posteriormente entraria no mercado editorial, onde me encontro até hoje.

Groucho 4- Qual o artista que lhe inspirou para seguir a profissão?

Toni: Minhas influências são as histórias em quadrinhos.

5- Para você, quais os artistas brasileiros mais importantes para a caricatura?

Toni: Entre meus contemporâneos, gosto de Loredano, Baptistão, Gustavo Duarte, Fernandes, Paulo e Chico Caruso… Mas é difícil falar sobre esse ou aquele artista; a gente sempre acaba esquecendo alguém.

6- A caricatura muitas vezes serve como crítica social e política. Qual a importância dessa crítica para a sociedade?

Toni: Penso que a caricatura política tem a vocação de representar o comportamento moral e eticamente reprovável de um ator social - esse fenômeno resulta na subtração de capital político do caricaturado. Portanto, a poesia gráfica satírica trata de nutrir as mentalidades que formam a opinião pública. Esse é exatamente o tema do meu TCC em Sociologia.

7- Você já vez alguma caricatura que a pessoa retratada não gostou? Como foi?

Toni: Isso acontece. Geralmente quem gosta da caricatura são os amigos do caricaturado- já que este experimenta uma espécie de sacrifício simbólico no qual sua pessoa está à disposição do ridículo.

Ringo 8- Quais as qualidades que o caricaturista deve ter?

Toni: O caricaturista deve ser um crítico que tem o exagero como meio, nunca fim, para chegar a uma sátira que revele o que está escondido pelas “maquiagens sociais” que chamamos aparência.

9- Você lançou recentemente seu primeiro livro de caricaturas “50 Razões para Rir”. Neste livro, estão frases de grandes pensadores sobre a importância do riso. Por que escolheu este tema?

Toni: O riso é frequentemente excluído das produções de conhecimento, por, acredito, uma construção histórica que uniu a seriedade à sisudez. O objetivo do livro é desnaturalizar essa impressão, citando - e caricaturando - as grandes mentes que, sabiamente, perceberam a importância do riso para a existência humana.

10- Hoje, existem vários programas gráficos que permitem desenhar direto no computador. Você usa muito o computador ou prefere o lápis, nanquim e prancheta?

Toni: Dificilmente encontraremos um artista gráfico que não lance mão dos recursos do computador. Entendo que não há conflito entre peças desenhadas à mão e peças feitas digitalmente. Encaro o computador como mais uma ferramenta. A mesma dinâmica característica da sociedade haveria de acompanhar o modo de produção da arte.

Capitu, personagem do Machado de Assis 11- Para você, usar o computador para desenhar atrapalha ou ajuda o artista?

Toni: Não acho que ajuda nem atrapalha. É uma nova dimensão do fazer artístico que estamos aprendendo a enxergar.

12- Hoje, é essencial saber utilizar o programa de computador para desenhar?

Toni: Acredito que não. Sobre os softwares, o estilo do artista vai pedir um programa que atenda às necessidades da sua estética e não o contrário. Cresceu muito o campo para o autodidata com a presença de arte e tutoriais na internet, mas acho que nada substitui o estudo orientado, como ponto de partida.

HitchcockO desenho vem da observação e da técnica. Acho que mais essencial é utilizar as tecnologias contemporâneas para a reprodução e exibição das peças. Os softwares ajudam a dar visibilidade aos desenhos; a internet trouxe um novo tempo no qual um artista gráfico da menor cidade do país pode ser mundialmente conhecido. O fato de uma caricatura ser feita à mão ou desenhada pelo computador é menos importante do que o olhar expressivo do artista, a ideia que a obra carrega e a relação com o público.

13- O que o caricaturista de hoje precisa saber ou fazer para se destacar?

Toni: Para se destacar o caricaturista precisa estudar. Só assim consegue ter um repertório capaz de expressar originalidade.

14- Muitas pessoas acreditam que desenhar é um dom. Isso é verdade?

Toni: Não. Dom é a palavra utilizada para explicar alguma perícia mais ou menos rara embrulhada num tanto de subjetividade. A arte que maravilha as pessoas é fruto do estudo, trabalho e incentivo, presentes desde a infância.

Contato

Toni D’Agostinho

Blog: http://www.acaricatura.blogspot.com/

E-mail: acaricatura@gmail.com

capalivro Livro: 50 razões para rir

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Um comentário:

Dri Viaro disse...

muito legal a entrevista, parabens
bjsss