12 de março de 2009

Eu, Mamãe e Psicose.

Olá, amigos d'A Caricatura!

Não é preciso ter assistido a genialidade de Hitchcock, em Psicose, para saber que as grandes tragédias da vida de um homem já estão bordadas na saia de sua mãe - desde o nascimento do pimpolho. De nada vale a prevenção; é quase lei natural: por mais que o caboclo esteja escorado em dignidades e honrarias, há sempre um ridículo matriarcal de tocaia, pronto para assaltar a masculinidade construída às custas de muito suor. É duro admitir, mas um homem aos olhos de sua genitora jamais deixará de ser um inocente mocetão. Para sustentar meus argumentos, narro, pois, o evento do qual fui protagonista ao lado de minha doce e sempre conveniente mamãe.

Um pronto socorro público recebeu a mim, às três e meia da madrugada, com uma crise de gota (excesso de ácido úrico que cristaliza nas articulações e gera dor aguda, principalmente no dedão do pé). Para entender a situação em que me encontrava, é mister fazer breve exercício de visualização - sobretudo para quem não é ávido usuário dos serviços de saúde do Estado: à frente, um jovem de vinte e tantos anos, com uma faca cravada na coxa, era atendido no corredor; ao meu lado um homem baleado no peito, algemado à maca e acompanhado por dois policiais, aguardava a morte certa... (cenário perfeito para um suspense de Hitchcock), e eu... em companhia desses pacientes, já me sentindo ridículo, com "dorzinha no dedão do pé". Todos fomos conduzidos à sala interna. Minha mãe, assustada com a situação, permaneceu no primeiro saguão. Entretanto, ao saber que eu teria de tomar uma injeção, ela entrou e, soltando os bofes e agitando os braços, gritou:

- Toni, toma na nádega!

A vítima da facada, os dois policiais, médicos, todos me olhando. Todavia, o mais impressionante foi o moribundo, que, reunindo o punhado de força vital que lhe restava, tentou erguer-se e virou a cabeça em minha direção... naquele momento eu pude ouvir seus pensamentos e tive a certeza de que ele morreria mais feliz se visse o meu rosto... o rosto do sujeito que iria "tomar na nádega".

Perto de minha mãe, Psicose é "sessão da tarde".

7 comentários:

Cristiane A. Fetter disse...

Nós mães sempre vamos ao extremo quando se trata de defender a nossa cria, com exceção é claro das psicopatas,rs.
A minha mãe já fez muitas destas comigo e com certeza eu farei com o meu pimpolho.
É por isso que somos famosas, rs.
bjks

JAMES disse...

Cara! tu contou a minha história que aconteceu no Hospital Cajurú em Curitiba, hehehe! É só trocar a gota por uma cólica renal e o coitado esfaqueado por um tiro no ombro que varou o outro lado e o cara estava com um "paninho" em cima do buraco. Cara! eu me achei tão ridículo (claro que a cólica renaljá estava passando), que fui embora com a ficha de atendimento. hauahauahau!....legal...abçs

Márcio Diemer disse...

Caramba!!! Só faltou filmar Toni,hehehhehe...para mim foi hilário,já para você mais uma história para contar...hehehhe

Johnny Blaze disse...

hauhauhauhaa
podes crer...o algemado com certeza morreu feliz
tem cada situação que as nossas mães nos colocam neh? rs
abração!

Matheus Mendes disse...

mas psicose realmente é uma comédia!
qm naum morre de rir, com um cara mascarado segurando uma faca, tentando matar uma muiezinha no banheiro enquanto ela grita e ganha close?
haha
muito bom o texto
valeu toni

PS: tem personagem novo no Tiras do Matheus

( tirasdomatheus.blogspot.com 0

andré abreu disse...

gostei do texto e da ilustração Toni!!
grande abraço amigão

Sunflower disse...

meu, a minha mãe é a Lenda.